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Foto de Gustavo Ferraz, FT MsC DO

A história por trás do Questionador

Por Gustavo Ferraz, FT MsC DO

A vida e sua sincronicidade nos direcionam a caminhos inesperados. Foi assim que ingressei na graduação em fisioterapia. Tive a necessidade de sair de casa ainda na adolescência, por uma oportunidade profissional como atleta de futebol. Aos 13 anos fui morar sozinho em Marechal Hermes, no Rio de Janeiro, para jogar pelo Botafogo de Futebol e Regatas. Vivi muitas realizações com o esporte, mas aos 17 anos sofri uma lesão, operei o joelho e permaneci por muito tempo no setor de fisioterapia. Acompanhando a rotina dos fisioterapeutas que me atendiam, e com dificuldades de retorno ao esporte, fui me familiarizando com a rotina profissional e, naturalmente, a curiosidade surgiu dessa observação. Era muito interessante a possibilidade daqueles profissionais de recuperar e promover melhora da capacidade funcional dos pacientes.

Quando entrei na graduação, tinha certeza de que trabalharia com esporte, o que aconteceu mais tarde. Mas a vida e sua sincronicidade sempre nos apresentam caminhos inesperados. Minha primeira experiência com alguma forma de docência aconteceu quando passei na prova de monitor da disciplina de Biomecânica. Passei a ter uma relação mais próxima com alguns professores, e assim o universo pedagógico apareceu na minha vida. A expectativa inicial de trabalhar com fisioterapia esportiva deu lugar ao encantamento com uma nova área, apresentada por dois professores (ou verdadeiros educadores): a fisioterapia cardiorrespiratória. Isso me direcionou ao meu primeiro emprego, numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e à minha primeira pós-graduação lato sensu nessa área.

Após quatro anos atuando diretamente em terapia intensiva, recebi o convite para fazer parte de uma sociedade em fisioterapia traumato-ortopédica. Mudei de área, me capacitei e fui viver essa experiência. Acabei me especializando em formações dentro do universo da terapia manual, e isso foi me aproximando novamente do esporte. Trabalhei e publiquei na área de natação e tive a oportunidade de retornar ao futebol profissional, vivendo e revivendo toda uma experiência incrível com o esporte que me formou. Nesse período, fui aprovado em concurso público e ingressei no SUS para atuar no ambulatório de fisioterapia. Durante a pandemia de COVID-19, em 2020, após 11 anos longe de uma UTI e com minha filha completando 2 anos, retornei aos plantões para auxiliar o município onde integro o corpo de saúde do SUS. Isso me fez repensar muita coisa da minha vida profissional e pessoal, e assim o mestrado voltou à cena.

Em 2014, tive a primeira oportunidade de ministrar uma aula, numa turma de pós-graduação lato sensu em fisiologia do exercício na Universidade Geraldo di Biase (UGB), e logo vi a necessidade de capacitação na área acadêmica. Assim, ingressei em 2015 no mestrado em Engenharia Mecânica da UFF, com área de concentração em Biomecânica, no campus de Volta Redonda. Como trabalhava todos os dias das 7h às 22h, tranquei a matrícula após o primeiro semestre. Até 2019, a ideia de continuidade permaneceu presa à UFF.

Mas a vida e sua sincronicidade nos direcionam a caminhos inesperados, e em 2020 conheci o MECSMA (Mestrado Profissional em Ensino em Ciências da Saúde e do Meio Ambiente, do UniFOA) através de um grande amigo. A ideia de um mestrado em ensino ainda não era vislumbrada, ou melhor, entendida, dentro de sua complexidade. Ingressei no programa com uma ideia biomecânica na cabeça e bem escrita no projeto (como disse o Prof. Dr. Adilson na entrevista), mas que tinha pouco a ver com a abrangência do ensino (como disse meu orientador, Prof. Dr. Sanches).

Numa das primeiras reuniões, meu orientador, Prof. Dr. Carlos Alberto Sanches Pereira, me instigou com a pergunta de ouro para este projeto:

"qual é a dificuldade dos alunos de fisioterapia quando você ministra aula?"

A partir desse questionamento, este trabalho nasceu, e com ele a ideia do QuestionaDOR. Quando as disciplinas do MECSMA começaram, elas logo me levaram a uma associação inevitável para um fisioterapeuta inserido no modelo biopsicossocial: a Educação em Dor. É uma corrente de ensino proposta pela Associação Internacional para o Estudo da Dor e pela OMS, junto a novas orientações curriculares, mas que ainda anda a passos curtos no nosso país.

Disse aos professores ao longo da jornada no MECSMA que estudar os teóricos da aprendizagem e as formas de aplicar esses conceitos fez de mim um fisioterapeuta muito melhor. Sou extremamente grato a todos os professores que me estimularam a ser melhor, especialmente ao professor Sanches, pelo incentivo em levar algo produtivo à profissão que tanto me deu.

Gustavo Ferraz, FT MsC DO